Dois Barcos
Composição de M. Camelo. Clique para a letra.
A música é sobre o término de um relacionamento, provavelmente amoroso. Pra mim é uma das músicas mais tristes do 4, junto de Os Pássaros e, principalmente, Sapato Novo.
A dobra do mar (vulgo horizonte) é uma equivalência ao “fim do túnel”. Você corre para a luz no fim do tunel, mas não sabe se, de fato, no final está a saída. Então ele diz: quem chegar lá primeiro, dá um sinal qualquer, aponta pra fé e rema. Ou seja, quem alcançar primeiro seu caminho (outra pessoa, outro amor, a solução), que avise e siga. Além disso, quando você avança além do horizonte você não consegue mais ver o que ficou pra trás. É uma superação.
Sobre a maré não virar e o vento vir contra o cais, isso são certamente dificuldades para se chegar no horizonte, a dobra do mar. Se as coisas se complicarem e o eu lírico não mais encontrar o interlocutor (sentir seus sinais), pode ser que ele consiga se acostumar com a dor disso. Ou será que não?
Sobre ficar só, ele sabe que nas experiências que já viveu, o acaso (a sorte, o improvável de encontrar alguém, a ventura, tema do album anterior, não esqueçamos que esta é a primeira música do album, o que tem significado no arco dramático) dedicou-se mais a se esconder dele, e que, por isso, não mais vê amanhã. E a doçura da vida (o mar) perdeu-se nessas experiências, que hoje canta.





